O verão muda o ritmo do corpo — e, muitas vezes, da vida também.

 

Tem uma coisa curiosa no verão:

ele não pede licença.

 

Os dias começam mais cedo, a luz dura mais, o calor aparece rápido. O corpo responde antes da cabeça. A gente acorda diferente, se move diferente, até organiza a rotina de outro jeito.

 

Para algumas de nós, o verão é sinônimo de mais movimento. Dá vontade de treinar, caminhar, sair de casa sem tantas camadas de roupa. Para outras, o calor pesa, o cansaço chega antes, e o corpo pede mais pausas. Nenhuma dessas formas está errada.

 

O problema começa quando a gente acha que precisa manter o mesmo ritmo o ano inteiro.

 

Durante muito tempo, aprendemos que movimento precisa ter meta. Que treino precisa render. Que constância significa repetir sempre o mesmo padrão. Mas o corpo não funciona assim. Ele funciona em ciclos — e o verão deixa isso mais evidente.

 

No verão, o ritmo muda.

E insistir em ignorar isso costuma gerar culpa, frustração e comparação.

 

Muitas mulheres sentem mais energia nessa época. Outras sentem mais exposição, mais cobrança, mais desconforto com o próprio corpo. A luz do verão ilumina tudo — inclusive as inseguranças que a gente tenta esconder no resto do ano.

 

Talvez por isso o verão seja tão intenso emocionalmente.

 

Mas movimento não precisa ser performance.

E bem-estar não precisa ser cobrança.

 

Treinar no verão pode ser sair cedo para aproveitar o dia. Mas também pode ser caminhar sem relógio, se mover sem meta, respeitar o limite do calor. Pausa não é desistência. Pausa também é movimento — só em outro ritmo.

 

Escutar o corpo é entender que nem todo dia pede o mesmo esforço. Que rotina não precisa ser rígida para ser saudável. Que constância pode ser flexível.

 

Entre amigas, a gente costuma entender isso com facilidade. A gente acolhe. A gente valida. O desafio é fazer o mesmo com nós mesmas.

 

Talvez o convite do verão seja esse:

menos cobrança, mais presença.

Menos comparação, mais percepção.

 

O verão muda o ritmo.

E a gente pode mudar junto com ele.

 

Sem culpa.

Sem pressa.

Sem precisar provar nada.

Por Lina J., colunista da JINK